Pelas minhas contas, ela nasceu no ano de 1905, em novembro. Preciso me informar com meus primos e primas, pois não sei exatamente em que local ela nasceu, acho que não era ainda Araraquara o lugar onde Gino, Tudinha e Leonilda moravam.
Imagino que, quando criança, ela fosse já como era quando adulta, risonha, alegre, inquieta, meio espevitada até, sabe esse tipo de gente que transborda? Pouquíssimo sei sobre sua infância, mas a mãe delas era rígida na educação, preservava muito a paz entre as irmãs e avisava:
- se vocês brigarem, não vou querer saber quem tem razão ou quem começou a briga, apanham
as três, não adianta indicar culpados, pois quando um não quer, dois ou três não brigam.
Hoje em dia, com tantas informações sobre psicologia que a gente tem, fico imaginando por quantos traumas e tristezas poderá ter passado a menina Isolina, sendo, como se diz, o filho "presunto do sanduiche", sem as regalias da mais velha nem as prerrogativas da caçula, minha mãe,que nasceu antes de passados tres anos da sua chegada a este mundo. E ela era ingênua, crédula, chegava a ser simplória em muitos aspectos, embora também fosse atrevida e maliciosa em tantos assuntos; talvez fosse fácil enganá-la em certos casos, no campo filosófico, mas seria impossível ludibriá-la naquelas questões mais palpáveis da vida diária, aí ela era espertíssima, prática, atirada, ia procurar saber e aprender, não tinha medos antecipados.
E sua meninice acabou muito cedo. Havia um parente meio distante da Tudinha, mãe da Isolina, Sr. Júlio Rodrigues, de 33 anos, que havia ficado viúvo recentemente, com 3 filhas, sendo a filha mais velha com 12 anos. Nessa época Isolina estava com 15 anos. Era bem desenvolvida de corpo, pode-se dizer que era a mais opulenta das irmãs, cheínha, de formas arredondadas, pele clara e viçosa, riso fácil e olhos marotos. Minha mãe, anos e anos depois, dizia a respeito dela: a Lina era formosa! Ela sempre usava esse mesmo adjetivo, não era "bonita" ou "linda", sempre "formosa". Talvez a de menor beleza convencional, mas certamente a mais vistosa das três irmãs. E Julinho se apercebeu da menina, acho que sem que ninguém se desse conta ele a cobriu de olhares e discretas gentilezas, e ela se interessou.
Um dia, para surpresa dos seus pais, ele disse-lhes que estava enamorado dela, e queria pedir a eles a sua mão em casamento. Tanto Tudinha quanto seu marido Gino ficaram muito surpresos, argumentaram que ela era ainda uma criança, mas o confiante Júlio sugeriu a eles que perguntassem a ela, Isolina, se ela o aceitava como marido. Acho que meus avós concordaram em fazer isso porque tinham certeza de que sua filha, moleca e criançona como era, diria que não, fugiria às léguas de compromissos, nem cogitaria em se ligar àquele senhor. Mas qual não foi a surpresa deles! Quando a chamaram e lhe disseram:
- Lina, o Júlio diz que quer casar com você; você gostaria de se casar agora com ele?
E ela, sem titubear:
- eu quero!
Creio que seus pais acharam uma loucura, mas não vamos nos esquecer que estavámos no ano de 1921, tempos difíceis, conseguir casar uma filha virava tarefa não muito fácil para famílias que não frequentavam a sociedade e tinham pouquíssimas posses. E já conheciam o pretendente, sabiam que era um bom homem, trabalhador e sério, aparentado da família.
E não tiveram como dizer não, ainda mais notando o entusiasmo e os sorrisos mal disfarçados de sua menina.
Foi assim que Isolina se casou tão jovem, e já levou para seu início de vida matrimonial as tres enteadas, Julia, Ester e Isabel, que ficariam sob sua responsabilidade. Dizem que ela e a filha mais velha do Tio Júlio brincavam de boneca juntas em casa!
Ficaram casados até 1938, quando Tio Júlio morreu. Nessa época, o casal já tinha mais dois filhos, Dulce e Washington, este com apenas 10 anos de idade.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
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2 comentários:
Oi Silvia!
Passei por seu blog e percebi que vc faz parte dos Pochini.
sou neta de Amadeu Pochini e Carolina Pochini.
meu pai se chama Valter,ele sempre diz que tinha um primo chamado Vicente.
vc os conhece?
tenho uma tia chamada Vitória.
será que eles fazem parte da sua história?
eu já ouvi meu pai dizer que algum parente teve o nome colocado numa rua. vou perguntar qual é o nome ai eu te falo.
um abraço pra vc.
Oi, Cristiane:
Infelizmente, não conheço ninguém mais da família do meu avô, as informações se perderam no tempo.
Pelo que sei, ele veio sozinho da Itália, se outros Pochini vieram não sabemos nada sobre eles.
Mas tentar registrar a história aqui já está valendo por encontrar outras pessoas com o nome da Família Pochini. É um prazer.
Um abraço,
Sílvia
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