segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

SOBRE PERSONAGENS MENCIONADOS - parte II

Era o ano de 1969. Eu tinha 25 anos e estava com casamento marcado, com José Bolognani, para abril de 1970. Trabalhávamos na R. João Adolfo, no centro de S.Paulo, eu como Secretária e José na parte Financeira, nas Empresas Bruce Payne e Associados, Executives - Seleção de Pessoal de alto nível e Prospect - Pessoal de nível médio, uma organização pequena, com poucos funcionários, presidida por Dr. Jorge Arana, um argentino que foi super marcante em nossas vidas. Pois bem, uma empresinha como milhares de outras em S.Paulo, no 11. and. de um prédio antigo, sem renome, sem fama. Eles estavam precisando de uma nova secretária-junior, até porque logo eu sairia de férias para casar e seria necessário alguém para me substituir.

Numa noite, após o expediente, cheguei em casa, no Cambuci, onde morava com minha mãe e minha irmã caçula, a Lucinha, e disse: hoje contratamos uma Ramalho para trabalhar concosco, uma moça bonita, grandona. Minha mãe disse:

- Vai ver que é nossa parente! eu ri, tão pouco provável numa imensidão de cidade como a Capital paulista, e completei:
- É Sonia Ramalho, Sonia Mercadante Ramalho, começa amanhã a trabalhar.
Minha mãe imediatamente reagiu:
- Mercadante é a Lygia, mulher do Oscar Ramalho e, deixe-me lembrar, eles tem uma filha Sonia. Seria possível uma coincidência dessas? No dia seguinte eu iria confirmar.
Quando ela chegou ao escritório, logo cedo, perguntei à queimarroupa:
- E aí, como estão Lygia e Oscar, tudo bem com eles? ela me olhou com ar assustado e:
- Como você sabe o nome dos meus pais?
Bem, foi um tal de falar sobre família, coincidências, parentes, conhecidos comuns...... Ela se tornou uma boa amiga, embora não tenha ficado muito tempo na Organização, esteve em nosso casamento, visitou-nos com o marido Marcelo em nosso apartamentinho na Av. Santo Amaro, minha mãe reatou o contato com o primo Oscar e sua mulher, lembro-me até o jogo de copos altos, num lindo tom de verde, esfumaçado, que ganhamos de presente de casamento dela. Anos depois perdemos o contato novamente, soube que ela teve, se não me engano, 4 filhos, depois separou-se do marido.
Oscar era o filho mais formal do Tio Flamínio, todo empertigado, falava difícil e rebuscadamente, lembro-me hoje da Lygia com a cara da Da. Ruth Cardoso, do Fernando Henrique - Presidente.

E foi assim que mais um sobrinho de minha vó Tudinha cruzou meu caminho, como um sinal de que os familiares se espalham sim, seguem caminhos diversos, mas estão sempre ao redor, em estradinhas paralelas, ou em pequenas transversais, quando menos se espera, dá-se de frente com um antigo parente.

Tanto isso é verdade que, surpreendentemente, encontrei um comentário de Lina Rodrigues sobre meu blog , ela é filha do meu primo Washington, filho caçula da Isolina, irmã imediatamente mais velha da minha mãe. Essa fantástica Internet! onde um escritozinho despretensioso, menor, de uma anônima moradora do Litoral Paulista, sem nenhuma projeção ou importância literária, pouco tempo depois de publicado na Rede Mundial já é encontrado por alguém da família.
Vou entrar em contato com os pais dela, por telefone, para ver se talvez eles possam ter informações que me ajudem nesta tarefa de resgatar alguns fatos de meus antepassados.

A partir daqui, vou tentar iniciar o relato do pouco que sei sobre meu pai e seus ancestrais.
Aqui também é uma história complexa, com menos dados concretos ainda do que tive sobre a ascendência de minha mãe.

Nem sei muito bem como começar, vou tentar organizar minhas ideias depois retomo meus textos aqui.
Até breve!
Sílvia

domingo, 11 de janeiro de 2009

SOBRE PERSONAGENS MENCIONADOS

P.S.: (Não sei se é correto começar um texto com um P.S. mas, como vou me referir ao post anterior, acho que tudo bem......)
Suzy, minha irmã que está passando uns dias das férias de 2009 aqui em Sanvic conosco, disse-me que, pelo que ela se lembra, o Nhonhô, irmão da Vó Tudinha, se chamava Ermínio ou Hermínio. E assim vamos costurando alguns dados, alguns fatos, pontinho por pontinho, quem sabe chegaremos a, pelo menos, uma colcha de retalhos do passado da família.

Sobre a Maria do Carmo, filha do Tio Flamínio, em cuja casa ficamos por uns meses em Araraquara: era uma mulher cheia de corpo, cabelos muito curtos, corte que, naquela época se chamava "a la homem". Olhos esverdeados, tinha um tique nervoso que a fazia revirar os olhos, que ficavam uns instantes tremelicando, dentes meio tortinhos, não era uma moça bonita, já bem passada dos trinta e solteira, já solteirona poder-se-ia dizer. Nunca a vi de saia ou vestido, sempre de calça comprida, sapatos baixos, fumando e, pasmem, para o ano de 1952 - 53 um fato bem incomum, andava de moto! Ela era divertida, tinha um jeitinho meio chiado de falar, dava muita risada, combinava muito bem com meu irmão Luciano, de quem ficou amicíssima. Ouvia-se um tititi sobre ela e, só mais tarde, me dei conta do que se tratava.
Ela era, diziam, o que se chamava naquela época de "mulher macho". Tinha umas amigas com quem sempre estava, tudo absolutamente inocente e discreto.

Ela foi, essa prima em segundo grau, legalzona, boa-praça, meu primeiro contato, a primeira vez que vi e tomei conhecimento de uma pessoa homossexual. Chega até a ser meio triste - acredito - para seus pais: a única filha, no meio de vários homens, de Tio Flamínio e Tia Mariquinha, não era mulher.

Acho que foi na década de 80 ou início dos anos 90 que ela morreu, soubemos que teve um problema cardíaco, fez cateterismo e, logo depois, seu coração não resistiu.
Não sei nada sobre seus sentimentos, mas só vi que ela, ao menos publicamente, viveu e morreu sozinha. Daí não me estranha que um coração não resista..........


Outro filho do Tio Flamínio, Onofre, chamado Fifi - uma figura - morou uns tempos em nossa casa em São Paulo, quando morávamos na Vila Mariana, na Av. Cons. Rodrigues Alves, onde meu pai viveu seus últimos dias. Creio que por volta de 1956 - 1957. Ele era casado com uma Iva, carioca, moravam no Rio de Janeiro, tinham um filho. Não sei por que circunstâncias a familia ficava lá no Rio e ele em nossa casa em São Paulo, talvez tratando de algum negócio ou emprego. Iva era uma mulher alta, morena, magra, feia (pelo menos eu a via assim, na época), com cabelo de birote. Ele era também bem alto e magro, careca, narigudo, feio, moreno queimado de sol, muito engraçado, cheio de "tiradinhas" bem-humoradas. Diziam que ele tinha sido apaixonado por minha mãe, na meninice de ambos.

Ele sempre se esquecia de algo quando saia, daí voltava para pegar, saia, lembrava-se de algo mais, voltava de novo. Era tão constante isso que virou uma expressão na família: sempre que alguém volta depois de sair para pegar algo esquecido, dizemos: Que foi que o Fifi esqueceu (ponto de interrogação).

Nota: sumiu o ponto de interrogação do meu lap-top, que foi consertado e agora o que deu pau mesmo foi o computador do Jose, temos só este velhinho, do tempo que Silvinha e Paulão moraram na Filadelfia - Estados Unidos. Mal ou bem o pequenino vai dando conta do recado, aqui na sala. Enquanto não consigo descobrir onde foi parar o ponto de interrogação, vou ter que por um P.I. entre parênteses no final das frases interrogativas. Que saco!


E há um outro episódio com filho do Tio Flamínio no decorrer da minha vida. Veja na próxima postagem.