P.S.: (Não sei se é correto começar um texto com um P.S. mas, como vou me referir ao post anterior, acho que tudo bem......)
Suzy, minha irmã que está passando uns dias das férias de 2009 aqui em Sanvic conosco, disse-me que, pelo que ela se lembra, o Nhonhô, irmão da Vó Tudinha, se chamava Ermínio ou Hermínio. E assim vamos costurando alguns dados, alguns fatos, pontinho por pontinho, quem sabe chegaremos a, pelo menos, uma colcha de retalhos do passado da família.
Sobre a Maria do Carmo, filha do Tio Flamínio, em cuja casa ficamos por uns meses em Araraquara: era uma mulher cheia de corpo, cabelos muito curtos, corte que, naquela época se chamava "a la homem". Olhos esverdeados, tinha um tique nervoso que a fazia revirar os olhos, que ficavam uns instantes tremelicando, dentes meio tortinhos, não era uma moça bonita, já bem passada dos trinta e solteira, já solteirona poder-se-ia dizer. Nunca a vi de saia ou vestido, sempre de calça comprida, sapatos baixos, fumando e, pasmem, para o ano de 1952 - 53 um fato bem incomum, andava de moto! Ela era divertida, tinha um jeitinho meio chiado de falar, dava muita risada, combinava muito bem com meu irmão Luciano, de quem ficou amicíssima. Ouvia-se um tititi sobre ela e, só mais tarde, me dei conta do que se tratava.
Ela era, diziam, o que se chamava naquela época de "mulher macho". Tinha umas amigas com quem sempre estava, tudo absolutamente inocente e discreto.
Ela foi, essa prima em segundo grau, legalzona, boa-praça, meu primeiro contato, a primeira vez que vi e tomei conhecimento de uma pessoa homossexual. Chega até a ser meio triste - acredito - para seus pais: a única filha, no meio de vários homens, de Tio Flamínio e Tia Mariquinha, não era mulher.
Acho que foi na década de 80 ou início dos anos 90 que ela morreu, soubemos que teve um problema cardíaco, fez cateterismo e, logo depois, seu coração não resistiu.
Não sei nada sobre seus sentimentos, mas só vi que ela, ao menos publicamente, viveu e morreu sozinha. Daí não me estranha que um coração não resista..........
Outro filho do Tio Flamínio, Onofre, chamado Fifi - uma figura - morou uns tempos em nossa casa em São Paulo, quando morávamos na Vila Mariana, na Av. Cons. Rodrigues Alves, onde meu pai viveu seus últimos dias. Creio que por volta de 1956 - 1957. Ele era casado com uma Iva, carioca, moravam no Rio de Janeiro, tinham um filho. Não sei por que circunstâncias a familia ficava lá no Rio e ele em nossa casa em São Paulo, talvez tratando de algum negócio ou emprego. Iva era uma mulher alta, morena, magra, feia (pelo menos eu a via assim, na época), com cabelo de birote. Ele era também bem alto e magro, careca, narigudo, feio, moreno queimado de sol, muito engraçado, cheio de "tiradinhas" bem-humoradas. Diziam que ele tinha sido apaixonado por minha mãe, na meninice de ambos.
Ele sempre se esquecia de algo quando saia, daí voltava para pegar, saia, lembrava-se de algo mais, voltava de novo. Era tão constante isso que virou uma expressão na família: sempre que alguém volta depois de sair para pegar algo esquecido, dizemos: Que foi que o Fifi esqueceu (ponto de interrogação).
Nota: sumiu o ponto de interrogação do meu lap-top, que foi consertado e agora o que deu pau mesmo foi o computador do Jose, temos só este velhinho, do tempo que Silvinha e Paulão moraram na Filadelfia - Estados Unidos. Mal ou bem o pequenino vai dando conta do recado, aqui na sala. Enquanto não consigo descobrir onde foi parar o ponto de interrogação, vou ter que por um P.I. entre parênteses no final das frases interrogativas. Que saco!
E há um outro episódio com filho do Tio Flamínio no decorrer da minha vida. Veja na próxima postagem.
domingo, 11 de janeiro de 2009
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