Meu sobrinho Dodô - o Antônio Augusto, filho da minha irmã Maria Helena e seu marido, Geraldo Orsini - foi uma das pessoas que me estimularam a escrever estes registros de memórias sobre nossa família. Quando argumentei que talvez fosse uma empreitada grande demais para mim, ele disse:
- Força, tia, se você escrever só uma página por dia, no final do ano haverá um calhamaço de folhas escritas. E eu comecei.
Mas não é bem assim. Meu relato aqui é essencialmente sobre pessoas, sobre a maneira de ser e agir das pessoas da família, muito mais do que só os fatos relacionados a essas pessoas, o importante, a meu ver, é o ser humano dentro de cada acontecimento. E, se eu quero falar das pessoas da minha família para deixar um registro de como eu as vi e as vejo no contexto da vida familiar, é preciso que eu esteja bem, é importante que eu não esteja amarga, ou irritada, ou desiludida enquanto escrevo. Se eu não estiver bem de humor, certamente vou deixar transparecer isso na descrição dessas criaturas e de suas ações, o que não pretendo.
Quero contar aqui sobre cada um dos que fazem e fizeram parte desta minha história da melhor forma que eu puder. Não que eu pretenda inventar qualidades para eles, mas quero sim ressaltar o que de bom eu vi neles e soube a respeito deles.
Então, como bem diz o inglês, é preciso estar "in the mood" para relembrar, para trazer memórias do passado. É preciso estar bem disposto, com vontade de escrever, de emergir das profundezas do pensamento as lembranças, os casos, os fatos, os cheiros, os sentimentos.
E não é sempre que me encontro assim. Há dias em que me sinto do lado escuro de mim, sem paciência para pessoas, nem para as próximas e contemporâneas nem para as distantes no tempo e no espaço; sem condescendência para os deslizes ou maus comportamentos de ninguém, sem complacência nem compaixão para desculpar nada nem ninguém. Nesses dias, é melhor ficar distante do computador, para não deixar destilar nenhum veneno sobre algum personagem que, num bom dia, num humor melhor, pode ser retratado mais bonitinho.
Isto acabou ficando como uma confissão, uma demonstração cabal de que, se passo vários dias sem escrever, na maioria das vezes, é porque não estou com disposição mesmo. Claro que há outros fatores, compromissos, computador com problemas, outros afazeres que requeiram mais tempo, que podem atrapalhar também.
Mas, o mais importante, é estar "in the mood" para relembrar e falar de pessoas.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
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