sábado, 14 de março de 2009

EXPOSIÇÃO DA FAMÍLIA

De repente fiquei preocupada com a exposição que estou fazendo dos meus familiares! Mesmo em tempos de Reallity Shows como os que vivemos, onde todos se expõem aos olhares e comentários, à bisbilhotice de milhões de expectadores em suas vidas. Essa gente, os Big Brothers e similares, se dispuseram a isso, fazem por dinheiro ou projeção, por fama e poder, ou seja lá por que for, mas quiseram isso. As pessoas sobre quem estou falando não escolheram se expor, não sabem que estão sendo comentadas, tendo suas vidas devassadas, segredos revelados, defeitos e características pessoais escancaradas ao público.



É certo que é só minha opinião, não são fornecidas provas ou documentos, mas posso estar sendo leviana quando dou os verdadeiros nomes dos meus familiares; até agora, falei de parentes que já se foram, mas que tem os seus descendentes vivendo aqui, contemporaneamente, e que podem ficar extremamente insatisfeitos com tudo isto.



Tenho que pensar a respeito. É claro que não falo aqui de fatos terríveis, taras ou aberrações - até porque não os há e, se houvesse, não mencionaria de público - mas há acontecimentos e passagens, em qualquer família, que podem ser desabonadoras; e os envolvidos talvez queiram o silêncio.



Sinto-me em uma encruzilhada, numa sinuca de bico. Por um lado, pondero tudo o que disse acima. Por outro, penso que qualquer pessoa deveria ter o direito de escrever a sua própria história, que começa com a história de seus antepassados e familiares que a precederam. Sem inventar e sem omitir, errando, talvez, exagerando algumas vezes, minimizando outras, mas isso por defeito próprio do escritor, ou de sua memória ou de sua avaliação dos fatos. Não acho que só os grandes vultos, só os ilustres e famosos devam merecer o privilégio de ter suas histórias reveladas; todos, mesmo os anônimos, medíocres, medianos, seres do povo, sem fama nem alarde podem, se alguém assim o desejar, virar personagens de alguma saga de família, ainda que sem grandes feitos e/ou idéias, mas podem ter suas vidas relatadas, tornadas conhecidas pelos membros dessa comunidade familiar que se interessarem por essas vidas. Se as criaturas realmente viveram suas vidas publicamente, não é por que está sendo escrito, por ser registrado, que fica mais real do que foi. Se os seus contemporâneos souberam dos fatos e acontecidos de suas vidas, não deveria importar que gerações futuras pudessem tomar conhecimento desses mesmos fatos.



Sei lá, estou confusa, com medo de ferir suscetibilidades; vou consultar algumas pessoas próximas, vou ouvir opiniões sobre isto, para que eu possa me sentir mais segura nestes meus relatos de memórias. Ou parar com eles.



Preciso de um tempo para isto.



No entanto, paralelamente a essas dúvidas todas, falei com um senhor Samuel Brasil Bueno, de Araraquara, que tem uma coluna num jornal local, O Imparcial, coluna essa que se chama "Seu nome está na Rua". Lá ele pesquisa a história dos homenageados com nomes de Ruas na Cidade de Araraquara.



Reproduzo abaixo o e-mail que mandei a ele.





Prezado Samuel:



Falei com você por telefone dias atrás, e gostaria de deixar registrado o teor de nossa conversa, para que você possa se lembrar dos detalhes e, assim, conseguir pesquisar dados a respeito da rua da Cidade de Araraquara com o nome de meu avô materno, Gino Pochini.

Meu nome é Sílvia Maria Prado Bolognani, moro atualmente em S. Vicente, litoral de S.Paulo. Somos uma família grande, meus pais tiveram 8 filhos, mas infelizmente não preservamos a memória de nossos antepassados, e eu estou muito interessada em descobrir fatos sobre o passado de minha família, e consertar um pouco essa lacuna de informações.

Minha mãe se chamava Aída Pochini Prado - Prado pelo casamento - e era a terceira e última filha de Gertrudes Ramalho Pochini e Gino Pochini. Minha avó Gertrudes era irmã de Flamínio Ramalho, de tradicional família de Araraquara. Sabemos que meu avô, Gino Pochini, veio da Itália para o Brasil bem jovem, não tenho certeza de onde exatamente ele era natural, talvez Florença, talvez fosse toscano. Minha mãe nasceu em 1908, e seu pai morreu quando ela era menina ainda, ou seja, cremos que ele morreu jovem, por volta do ano de 1916/1917.

Gino Pochini era um homem culto, era compositor e maestro, teve uma escola em Araraquara (minha mãe tinha uma foto bem antiga e amarelada de uma sala de aula onde ela era uma das alunas e o Professor, seu pai, aparecia perto do quadro ensinando a várias crianças.



Recentemente, em meio a pesquisas para encontrar coisas do passado de minha família, vi no Google Maps que há uma rua em Araraquara com o nome Gino Pochini. Falei por telefone com Marcelo Cavalcanti, do Expediente da Câmara dessa Cidade, o qual me informou:- o Decreto número 4.603, de 09.03.1982, foi o que deu o nome de Gino Pochini a uma rua do Jardim (ou Parque) Iguatemi.

Ele não soube me dizer quem fez essa proposição para conceder o nome à rua. Mas me deu seu nome e telefone, em função do seu trabalho no jornal referente a nomes de ruas.

Como tenho muito poucos dados a respeito desse meu avô, é aqui que entraria sua contribuição. Seria ótimo saber qualquer coisa a respeito dessa homenagem, o porque dela, quem sugeriu, como foi embasada essa sugestão, enfim, tudo que eu puder saber sobre esse personagem.

Tanto minha mãe como suas duas irmãs mais velhas já morreram, não temos muito a quem perguntar sobre esse passado.



Já dei uma olhada no Jornal O Imparcial, na Internet, na sua coluna "Seu nome está na Rua", superinteressante, aquelas fotos antigas me deram esperança de que, através de você, poderei saber algo mais sobre meu avô.



Estarei aguardando ansiosamente sua resposta. E desde já agradeço muitíssimo sua atenção e interesse.

Meu e-mail é silbolo@..............
Um abraço,



Sílvia M.Prado Bolognani



P.S.: desculpe ter demorado para enviar este e-mail, já falamos há vários dias, mas tive um problema no dedo da mão, fiquei engessada até hoje, e estava mais difícil para digitar.



SMPB









Esse e-mail foi enviado dia 9 de março, recebi uma confirmação de recebimento logo em seguida, mas nenhuma resposta até hoje.



Bem, se resolvo continuar com este meu projeto aqui, não me importa se tiver ou não mais informações, vou só registrando minhas lembranças pessoais mesmo, como já disse, sem preocupação com confirmação de datas, fatos e lugares; se eu conseguir dar um apanhado geral para os meus filhos, já será mais do que fizeram meus pais por mim e por meus irmãos, no tocante a este aspecto de nos fazer conhecer seus pais e avós.



Só mais uma coisa quero mencionar, que aconteceu nestes dias em que não escrevi aqui:



Para vender um carro que temos desde 1999, meu marido José e eu procuramos o Certificado de Transferência, e não encontramos. Já nos mudamos de casa - e de cidade - nesse entretempo, e o papel desapareceu. Sou normalmente muito organizada com nossos papéis, tenho um arquivo pessoal bem estruturado e sempre atualizado, mantenho registros de coisas antigas que considero importantes, tenho Notas Fiscais de produtos comprados há muitos e muitos anos, se o item ainda existe, a N.Fiscal está guardada. Assim, ter sumido um documento importante foi um baque para nós, além de significar um transtorno considerável, pois nos impossibilitaria a venda do auto no momento, demandaria ações junto ao Detran de São Paulo, demoradas e dispendiosas. Então, resolvi fazer uma varredura completa em todos os papéis da casa, ordenadamente, de cabo a rabo, sem deixar nada para trás, examinando mesmo os lugares mais improváveis.



Tudo isto para contar que, nessa busca, mexi em coisas que eram da minha mãe, vi lá uma porção de recordações que já tinha visto nalgum momento da minha vida, livros de poesias que ela escreveu na adolescência, tudo manuscrito, poesias das irmãs, cópias que foram tiradas por elas da partitura e letra do Hino a São Paulo, escrito pelo Vô Gino, todas as letras das músicas que minha mãe compôs, desde 1973, para as crianças da Família cantarem e tocarem no Natal, uma cadernetinha de endereços de bolso manuscrita por meu pai, com sua letra tão característica, enfim, tesouros que estão guardados junto com minhas fotos, pois ficaram em meu poder depois que mamãe morreu, já que ela morava na minha casa e tudo dela estava lá.



Só que, no meio de todas essas coisas que eu já conhecia, achei algo que não me lembro de jamais ter visto antes. Cinco meias folhas de papel tipo sulfite, onde foram copiados, xerocados, registros manuscritos, com letra bordada como em convites e diplomas antigos, em italiano, de pessoas residentes na localidade, Comune di Pontedera. Aparentemente, são registros dos habitantes, chamado Indice Mobile del Registro di Popolazione, com os nomes dos membros da Família Pochini.



Já é mais de meia-noite, estou com sono, na próxima postagem vou contar o que decifrei desses escritos e registros.

Ainda uma "coisinha" mais a deixar registrada, aqui neste espaço da minha Família. Há dois
dias, em 12.03.2009, nasceu na Pro-Matre na Capital de São Paulo, o Gabriel, com quase quatro quilos; filho de Luciana Prado Chasles e Daniel Gabbay, primeiro neto de minha irmã caçula, Lucia Edy Prado e seu ex-marido, Danilo Chasles. Mais um bisneto de Aída Pochini Prado e Domingos Prado, e mais um tataraneto de Gertrudes Ramalho Pochini e Gino Pochini.
Estamos todos muito felizes. A vida não para, a família se perpetua.

Um comentário:

Saporta disse...

Oi, Lucia e Danilo foram meus amigos a muitos anos atraz. Perdi o contato há muitos anos e gostaria de ter notícias, especialmente da Lucia.

Como posso entrar em contato com ela?

Jacqueline Saporta-Larsson